Raoni é internado em estado grave na UTI após quadro de infecção pulmonar

Uma das mais importantes lideranças indígenas do planeta, o cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, voltou a ser internado em estado grave neste domingo (14) no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso. Reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos originários e pela luta contra o desmatamento da Amazônia, Raoni está sob cuidados intensivos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com o boletim médico divulgado pela unidade hospitalar, o líder indígena deu entrada apresentando sinais preocupantes de desidratação, sonolência acentuada, abdômen distendido e ausência de diurese, condição que indica comprometimento da função renal e dificulta a eliminação de líquidos e toxinas pelo organismo.
Os exames realizados pela equipe médica identificaram alterações importantes nos rins e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica apontada pelos médicos é de sepse com foco pulmonar, desencadeada por uma pneumonia broncoaspirativa. Esse tipo de pneumonia ocorre quando conteúdos do estômago ou da boca acabam sendo aspirados para os pulmões, provocando uma infecção que pode evoluir rapidamente, especialmente em pacientes idosos.
Além disso, exames de imagem revelaram um quadro de suboclusão gástrica, condição caracterizada pela dificuldade parcial da passagem dos alimentos e líquidos pelo sistema digestivo, agravando ainda mais o estado clínico do paciente.
Segundo informações repassadas por familiares e cuidadores aos médicos, Raoni estava em sua residência, localizada na região de Peixoto de Azevedo, no norte mato-grossense, onde recebia visitas de lideranças indígenas e pajés de seu povo. Na manhã de sábado (13), ele apresentou um episódio de vômito. No domingo, o quadro se agravou com mais três episódios de vômito, acompanhados de tosse persistente, dores abdominais e expectoração com pequena quantidade de sangue.
Ainda conforme o hospital, o cacique conseguiu ingerir apenas o café da manhã no domingo, deixando de se alimentar ao longo do restante do dia devido ao desconforto abdominal e ao agravamento dos sintomas.
Esta não é a primeira vez que a saúde do líder indígena inspira cuidados. Em maio deste ano, Raoni já havia sido hospitalizado após sofrer fortes dores abdominais causadas por uma hérnia diafragmática traumática crônica, consequência de um acidente ocorrido há mais de duas décadas. Na ocasião, devido à idade avançada e aos riscos envolvidos, a equipe médica descartou uma intervenção cirúrgica e optou por tratamento conservador.
Após receber alta, os médicos recomendaram uma série de cuidados permanentes, incluindo monitoramento diário por cuidadores, fisioterapia respiratória, acompanhamento nutricional especializado e restrição ao contato com pessoas portadoras de doenças infectocontagiosas. Também foi orientado que o líder evitasse viagens longas devido à fragilidade de seu estado de saúde.
Nos últimos anos, Raoni enfrentou outros desafios médicos importantes. Em 2022, passou por uma cirurgia para implantação de um marca-passo cardíaco. Já em 2020, precisou ser hospitalizado em duas ocasiões, uma delas após contrair Covid-19 durante a pandemia.
Considerado uma referência mundial na defesa dos direitos indígenas e da preservação ambiental, Raoni tornou-se símbolo da resistência dos povos originários e da proteção da Amazônia. Sua trajetória ultrapassou as fronteiras do Brasil, levando denúncias sobre o avanço do desmatamento e seus impactos para comunidades indígenas a fóruns internacionais, governos e organizações ambientais em diversas partes do mundo.
O estado de saúde do cacique segue sendo acompanhado de perto pela equipe médica, familiares e lideranças indígenas, que aguardam a evolução do quadro clínico nas próximas horas.









