Câmara vira palco de pressão pelo fim da escala 6×1

A votação da PEC que reduz a jornada de trabalho e coloca fim na escala 6×1 transformou a Câmara dos Deputados em palco de mobilização política nesta quarta-feira (27). Parlamentares favoráveis à proposta distribuíram camisetas, adesivos e materiais de apoio dentro da sessão da comissão especial que analisa o texto.

O presidente da comissão, deputado Alencar Santana, conduziu os trabalhos usando camiseta em defesa do fim da escala 6×1, gesto que simbolizou o clima de enfrentamento político em torno da proposta. Outros deputados da base governista e da esquerda também aderiram à mobilização visual dentro do plenário.

Entre os apoiadores estavam parlamentares como Erika Hilton, autora de uma das PECs sobre redução da jornada, além de deputados ligados a movimentos sindicais e centrais trabalhistas.

Do lado de fora e nas redes sociais, sindicatos, movimentos populares e entidades ligadas aos trabalhadores intensificaram a pressão sobre deputados considerados contrários à pauta. Ferramentas digitais passaram a ser usadas para cobrar votos favoráveis ao fim da escala considerada exaustiva por trabalhadores de diferentes setores.

A oposição e parlamentares da direita criticaram a manifestação dentro da comissão. Deputados bolsonaristas e ligados ao Novo reclamaram da postura de Alencar Santana, acusando o colegiado de perder “neutralidade” durante a votação.

Nos bastidores, porém, a irritação da direita reflete o avanço de uma pauta que ganhou apoio popular massivo e passou a expor setores políticos historicamente alinhados aos interesses do empresariado.

O relatório apresentado pelo deputado Leo Prates prevê o fim da escala 6×1 em até 60 dias após a promulgação da PEC, além da redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial.

Enquanto trabalhadores defendem mais qualidade de vida, descanso e tempo para família, parte do Congresso e entidades empresariais seguem pressionando por flexibilizações, transições longas e até propostas que ampliariam jornadas para até 52 horas semanais.

A expectativa é que a PEC avance para votação no plenário da Câmara ainda nesta semana, em meio à crescente pressão popular pelo fim de uma das jornadas mais criticadas pelos trabalhadores brasileiros.

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