Juíza morreu após hemorragia; cirurgia de emergência teria sido autorizada apenas 28 horas depois

A morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, após um procedimento de coleta de óvulos realizado em uma clínica de reprodução assistida de Mogi das Cruzes, ganhou novos desdobramentos e levanta questionamentos sobre a condução médica do caso. Depoimentos prestados à Polícia Civil indicam que profissionais de saúde alertaram repetidamente sobre a necessidade de uma cirurgia de emergência, mas a intervenção só teria sido autorizada cerca de 28 horas após a paciente dar entrada no hospital com um quadro grave de hemorragia.
Segundo os relatos, Mariana realizou a coleta de óvulos no dia 4 de maio. Após retornar para casa, passou a sentir fortes dores e voltou à clínica, sendo posteriormente encaminhada ao Hospital e Maternidade Mogi-Mater com hemorragia aguda. Exames apontavam queda nos níveis de hemoglobina e sinais de agravamento do quadro clínico.
Médicas que acompanharam o atendimento afirmaram à polícia que defenderam uma intervenção cirúrgica urgente diante dos sinais de sangramento interno e piora progressiva da paciente. De acordo com os depoimentos, o médico responsável pelo procedimento teria insistido na hipótese de hiperestimulação ovariana e optado inicialmente por tratamento clínico, sem indicar cirurgia imediata.
Os relatos apontam que, ao longo de todo o período de internação, a equipe do hospital teria feito diversos contatos para alertar sobre a gravidade do estado de saúde da magistrada. Somente na noite do dia 5 de maio, cerca de 28 horas após a entrada no hospital, a cirurgia foi realizada.
Apesar dos esforços posteriores da equipe médica, Mariana não resistiu. Ela sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu na manhã do dia 6 de maio. O caso foi registrado pela Polícia Civil como morte suspeita e segue sob investigação para apurar se houve falha médica ou negligência no atendimento.
O Hospital e Maternidade Mogi-Mater informou que a paciente recebeu atendimento imediato ao chegar à unidade e que todas as medidas cabíveis foram adotadas. A instituição afirmou ainda que o médico responsável pela clínica de reprodução assistida foi acionado para acompanhar o caso e participou do procedimento cirúrgico realizado posteriormente.
Natural de Niterói (RJ), Mariana Francisco Ferreira ingressou na magistratura do Rio Grande do Sul em 2023 e atuava no Juizado da Vara Criminal de Sapiranga. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lamentou a morte da juíza e destacou seu comprometimento profissional e dedicação ao serviço público.










