Novo líder do Irã convoca países islâmicos contra presença dos EUA e de Israel

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez um duro discurso contra os Estados Unidos e Israel ao convocar países islâmicos para construir uma nova ordem regional sem presença militar norte-americana no Oriente Médio.
A declaração foi divulgada nesta terça-feira (26) em carta dirigida aos milhões de muçulmanos reunidos na peregrinação anual à cidade sagrada de Meca, evento que movimenta mais de 1,5 milhão de pessoas todos os anos.
No texto, Khamenei afirmou que os países islâmicos possuem interesses comuns e capacidade suficiente para reorganizar a estrutura de poder da região sem dependência dos EUA.
O líder iraniano também declarou que Washington estaria perdendo espaço político e militar no Oriente Médio após décadas de intervenções, guerras e instalação de bases militares na região.
A fala ocorre em meio ao agravamento das tensões após semanas de conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, além do impasse nas negociações diplomáticas envolvendo sanções econômicas, presença militar norte-americana e o controle do Estreito de Ormuz.
Khamenei aproveitou o discurso para afirmar que Israel estaria “nos estágios finais de sua existência”, retomando uma retórica histórica da República Islâmica iraniana contra o Estado israelense.
O governo iraniano voltou a defender a criação de um único Estado para palestinos e israelenses, posição que confronta tanto a política israelense quanto a solução internacionalmente defendida de dois Estados.
O novo líder supremo assumiu o cargo após a morte do aiatolá Ali Khamenei, morto durante a guerra envolvendo Irã, Israel e EUA.
Durante o pronunciamento, Mojtaba também exaltou o chamado “Eixo da Resistência”, bloco formado por grupos e governos alinhados ao Irã em países como Líbano, Palestina, Iraque, Síria e Iêmen.
Segundo ele, essas forças seriam fundamentais para enfrentar o que chamou de hegemonia sionista e imperialista no Oriente Médio.
O discurso reforça o papel do Irã como principal polo de resistência regional aos interesses militares dos EUA e de Israel, em um cenário de crescente multipolaridade global e aproximação do país persa com potências como China e Rússia.
Ao mesmo tempo, a escalada retórica aumenta o temor internacional de ampliação do conflito regional, especialmente diante da fragilidade do cessar-fogo e da continuidade das disputas geopolíticas no Oriente Médio.










