Patriotismo de joelhos
Por Osmar Wang

Existe uma contradição que o bolsonarismo nunca conseguiu esconder. Enquanto grita “Brasil acima de tudo” em palanque, na prática vive de joelhos diante dos interesses dos Estados Unidos.
A mais recente demonstração disso veio com a viagem do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde se encontrou com Donald Trump ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo, neto do último ditador da ditadura militar brasileira.
Não é apenas uma visita diplomática. É simbólico. É ideológico. É político.
Durante o encontro, Flávio pediu que os Estados Unidos classifiquem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.
À primeira vista, pode soar como discurso de “combate ao crime”. Mas quem conhece minimamente geopolítica e soberania nacional sabe o tamanho do problema que isso representa.
Quando um político brasileiro vai até Washington pedir esse tipo de intervenção, ele não está fortalecendo o Brasil. Está terceirizando para outra potência o direito de interferir em questões internas do nosso país.
E a história da América Latina mostra muito bem onde isso costuma terminar.
Os Estados Unidos jamais atuaram como parceiros desinteressados da região. Sempre agiram conforme seus próprios interesses econômicos, militares e estratégicos. Foi assim em golpes militares, intervenções políticas, espionagem, financiamento de grupos conservadores e sabotagens econômicas ao longo de décadas.
Por isso impressiona ver setores da extrema direita brasileira se dizendo patriotas enquanto fazem fila para buscar bênção política na Casa Branca.
O mesmo grupo que fala em soberania nacional vive batendo continência para interesses estrangeiros.
O mesmo grupo que acusa adversários de “ameaça comunista” não vê problema algum em abrir espaço para pressão internacional sobre o Brasil.
E tudo isso acontece justamente no momento em que o bolsonarismo enfrenta desgaste político, investigações e perda de força dentro do próprio país.
A ida de Flávio aos EUA parece muito menos uma agenda institucional e muito mais uma tentativa desesperada de manter vivo um projeto político cada vez mais fragilizado.
O mais grave é que esse alinhamento automático não é apenas ideológico. Ele é perigoso.
Porque quando políticos brasileiros começam a tratar o próprio país como incapaz de resolver seus problemas sem tutela estrangeira, o que está sendo colocado em risco não é apenas um governo ou uma disputa eleitoral. É a própria soberania nacional.
E soberania não se defende ajoelhado.









