PF faz nova operação contra fraudes bilionárias no INSS e mira associações suspeitas de descontos ilegais

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos ilegais aplicados em aposentadorias e pensões do INSS sem autorização dos beneficiários.

Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e Distrito Federal. A ação também conta com participação da Controladoria-Geral da União (CGU).

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como principais alvos pessoas ligadas a associações e entidades autorizadas a realizar descontos diretamente nos benefícios previdenciários.

Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação de patrimônio.

Entre os alvos da operação estão dirigentes ligados à Unibap e à Abenprev, entidades suspeitas de utilizar acordos firmados com o INSS entre 2021 e 2023 para aplicar cobranças indevidas em aposentados e pensionistas.

As investigações apontam que o esquema teria provocado prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões e afetado cerca de 4,1 milhões de beneficiários em todo o país.

A fraude consistia na realização de descontos automáticos nos pagamentos de aposentados e pensionistas sem autorização clara dos segurados, muitas vezes utilizando filiações associativas suspeitas ou contratos questionáveis.

Embora parte do esquema tenha se intensificado entre 2019 e 2024, as primeiras denúncias sobre irregularidades já haviam sido registradas ainda em 2017.

Entre os nomes apontados como operadores do esquema aparecem Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A operação iniciada em abril deste ano já havia provocado forte abalo dentro do INSS e do governo federal, incluindo afastamentos de servidores, prisões e a saída do então presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto.

O escândalo também atingiu o campo político e resultou na saída do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, além da instalação de uma CPMI para investigar possíveis conexões políticas e empresariais envolvendo o esquema.

As autoridades também apuram suspeitas de omissão de gestores públicos diante de alertas feitos ainda nos primeiros anos da fraude. Documentos revelados nas investigações indicam que órgãos federais já haviam recebido denúncias sobre descontos indevidos, mas falhas de fiscalização permitiram que o esquema continuasse operando durante anos.

Enquanto a PF aprofunda as investigações e negocia acordos de delação premiada, o governo federal mantém um programa de reembolso para aposentados e pensionistas prejudicados pelos descontos ilegais.

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