Inteligência artificial já faz parte da busca por emprego de 73% dos brasileiros

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma novidade tecnológica para se tornar uma ferramenta presente na rotina de quem procura emprego e também de quem contrata. Um levantamento internacional divulgado pela consultoria Michael Page mostra que a tecnologia está cada vez mais integrada aos processos seletivos, tanto do lado dos candidatos quanto das empresas.

De acordo com a pesquisa Talent Trends 2026, realizada com mais de 60 mil profissionais em 36 países, incluindo 2.834 participantes brasileiros, 73% dos trabalhadores no Brasil afirmam utilizar ferramentas de inteligência artificial durante a busca por uma oportunidade de emprego.

Entre as principais aplicações estão a revisão de currículos, adaptação de candidaturas para vagas específicas, pesquisa sobre empresas e até mesmo a preparação para entrevistas de emprego.

O estudo também mostra uma rápida expansão do uso da tecnologia no ambiente corporativo. Em 2024, apenas 30% dos profissionais diziam utilizar inteligência artificial generativa de forma frequente no trabalho. O índice saltou para 45% em 2025 e alcançou 71% em 2026, demonstrando a velocidade com que essas ferramentas passaram a fazer parte do dia a dia das organizações.

A adesão também cresceu entre os responsáveis pelos processos de recrutamento. Segundo o levantamento, 55% dos gestores de contratação utilizam recursos de inteligência artificial para elaborar descrições de vagas, estruturar entrevistas e melhorar a comunicação com os candidatos.

Currículos cada vez mais parecidos

Apesar das vantagens oferecidas pela tecnologia, o uso massivo da inteligência artificial trouxe um novo desafio para o mercado de trabalho: a padronização dos currículos.

Com ferramentas capazes de corrigir textos, sugerir palavras mais impactantes e reorganizar informações, muitos documentos acabam apresentando estruturas semelhantes, dificultando a diferenciação entre os candidatos.

A pesquisa aponta que a maioria dos usuários utiliza a inteligência artificial para aprimorar conteúdos já existentes, tornando os currículos mais organizados e profissionais. No entanto, como muitos recorrem às mesmas plataformas e comandos, os resultados finais acabam ficando bastante parecidos.

Essa uniformização tem gerado dificuldades para recrutadores que precisam analisar um grande volume de candidaturas. O estudo mostra que 36% dos gestores brasileiros afirmam não conseguir identificar com clareza se um currículo foi elaborado integralmente por um candidato ou se passou por forte intervenção de ferramentas de inteligência artificial.

Empresas buscam avaliar habilidades na prática

Diante desse cenário, muitas organizações passaram a adotar métodos alternativos para avaliar os profissionais.

Testes práticos, desafios técnicos e simulações de situações reais de trabalho vêm ganhando espaço nos processos seletivos. A estratégia busca identificar competências que vão além do que está escrito no currículo e verificar como o candidato aplica seus conhecimentos na prática.

Segundo Victoria Quintella, diretora sênior da Michael Page, a inteligência artificial não substitui a avaliação humana, mas pode contribuir para tornar os processos mais eficientes.

Para ela, o diferencial continua sendo a capacidade das pessoas de demonstrar suas habilidades, enquanto a tecnologia atua como ferramenta de apoio para acelerar etapas do recrutamento.

Competências reais ganham protagonismo

Outro dado relevante do levantamento revela uma mudança de comportamento entre os profissionais. Cerca de 63% dos entrevistados afirmaram que têm maior interesse em se candidatar a vagas quando as empresas deixam claro que valorizam competências demonstráveis, e não apenas diplomas ou trajetórias profissionais tradicionais.

O resultado indica uma tendência crescente de valorização da experiência prática e da capacidade de resolver problemas, em detrimento de critérios exclusivamente formais.

Como os brasileiros utilizam a inteligência artificial na busca por vagas

A pesquisa também identificou as principais atividades realizadas com auxílio de inteligência artificial durante a procura por emprego:

  • Melhorar textos já escritos, ajustando gramática, tom ou estrutura: 47%;
  • Adaptar currículos e candidaturas para vagas específicas: 43%;
  • Resumir experiências profissionais e habilidades em tópicos: 43%;
  • Buscar ideias para descrever competências e experiências: 38%;
  • Pesquisar empresas, cargos e setores de atuação: 35%;
  • Treinar respostas para entrevistas de emprego: 31%;
  • Criar versões iniciais de currículos, cartas de apresentação e formulários de candidatura: 28%;
  • Receber sugestões e comentários sobre documentos elaborados pelo próprio candidato: 26%.

Apesar do crescimento acelerado da tecnologia, especialistas apontam que o fator humano continua sendo decisivo nos processos de contratação. Em um cenário onde a inteligência artificial está disponível para praticamente todos, a capacidade de demonstrar habilidades reais, pensamento crítico e autenticidade tende a se tornar cada vez mais valorizada pelas empresas.

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