Filló tenta liberar livro sobre Tremembé após sucesso de série no streaming

O ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filló, voltou à Justiça para tentar reverter a proibição do livro *Diário de Tremembé*, obra lançada em 2019 e que teve sua circulação suspensa por decisão judicial. A nova ofensiva jurídica ocorre após o lançamento da série *Tremembé*, exibida pelo Prime Video, que aborda personagens e histórias ligadas ao presídio conhecido por abrigar condenados em casos de grande repercussão nacional.
Na nova ação, a defesa de Filló sustenta que a existência da série reforça a incoerência da manutenção da censura ao livro. Segundo os advogados, a produção audiovisual explora temas semelhantes aos relatados na obra, tornando contraditória a proibição de um relato escrito baseado em experiências vividas pelo próprio autor durante o período em que esteve preso.
A argumentação apresentada ao Judiciário destaca que o conteúdo retratado na série alcançou ampla divulgação nacional sem sofrer qualquer restrição, enquanto o livro permanece impedido de circular.
Para a defesa, não há justificativa para manter a censura de uma obra cuja temática já foi amplamente difundida por outros meios.
A proibição foi determinada em 2019 pela Justiça de São Paulo. Na ocasião, o entendimento foi de que o livro utilizava informações e imagens de detentos sem autorização adequada, além de apresentar interpretações consideradas controversas sobre personagens retratados na narrativa.
A decisão apontou que apenas parte dos presos citados havia autorizado o uso de suas imagens e que alguns dos envolvidos contestavam a forma como foram retratados na publicação. O conteúdo também foi classificado pela magistrada responsável pelo caso como excessivamente sensacionalista.
Agora, Filló tenta convencer a Justiça de que o cenário mudou. Seus advogados afirmam que a série abriu espaço para um debate público sobre a realidade da penitenciária de Tremembé, tornando ainda mais difícil justificar a manutenção da proibição.
Condenado por crimes relacionados à administração pública, o ex-prefeito cumpriu pena e está em regime aberto desde 2022. Desde então, busca reconstruir sua imagem pública e retomar projetos interrompidos durante o período de encarceramento.
Filló argumenta que sua obra registra experiências reais vividas dentro da unidade prisional e questiona por que outros livros e produções sobre Tremembé tiveram circulação permitida enquanto sua publicação segue vetada.
O caso reacende discussões sobre liberdade de expressão, direito à informação, proteção da imagem e os limites éticos na produção de conteúdos que envolvem pessoas privadas de liberdade. Também coloca em debate a diferença de tratamento entre obras literárias e produções audiovisuais que abordam os mesmos fatos.
Enquanto a série *Tremembé* conquista audiência e amplia o interesse do público sobre os bastidores do sistema prisional brasileiro, o destino de *Diário de Tremembé* volta a depender de uma nova decisão da Justiça paulista.









