EUA poupam café, carne e aviação de novo tarifaço contra produtos brasileiros

A lista de produtos brasileiros que ficaram fora da proposta de sobretaxas anunciada pelo governo de Donald Trump revela a importância estratégica de diversos setores para a economia norte-americana. Entre os quase 1.700 itens poupados das tarifas de 25% estão produtos ligados à indústria farmacêutica, ao setor químico, à aviação e também alimentos de grande relevância para o mercado dos Estados Unidos, como café, suco de laranja e carne bovina.
A exclusão desses produtos foi justificada pela própria administração americana, que alegou preocupação com possíveis impactos sobre o abastecimento interno. Segundo o governo dos Estados Unidos, diversos itens foram retirados da lista por serem considerados essenciais para a economia do país ou por não possuírem produção suficiente em território americano.
Café e carne escapam da taxação
Entre os produtos beneficiados estão alguns dos principais destaques da pauta exportadora brasileira.
O café, um dos símbolos do agronegócio nacional e amplamente consumido pelos norte-americanos, ficou fora das medidas propostas. O mesmo ocorreu com o suco de laranja congelado e diversos cortes de carne bovina exportados pelo Brasil.
A decisão reduz o risco de impactos imediatos em setores que movimentam bilhões de dólares anualmente e geram milhares de empregos em diferentes regiões do país.
Setor industrial ainda preocupa
Apesar das exclusões, especialistas alertam que a proposta continua representando uma ameaça significativa para a indústria brasileira.
Segundo estimativas apresentadas pelo economista Sergio Vale, da MB Associados, alguns dos segmentos mais expostos às novas tarifas são justamente aqueles ligados à produção industrial de maior valor agregado.
Entre os setores que podem sofrer os maiores impactos estão:
Máquinas e equipamentos, responsáveis por exportações de aproximadamente US$ 2,36 bilhões;
Madeira e produtos manufaturados, que movimentaram cerca de US$ 1,24 bilhão;
Equipamentos elétricos e transformadores, com exportações próximas de US$ 920 milhões.
Caso as tarifas sejam efetivamente implementadas, empresas desses segmentos poderão enfrentar perda de competitividade no mercado americano.
Governo brasileiro tenta evitar medida
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro continuará atuando para impedir a adoção das sobretaxas.
Segundo ele, a medida proposta pela administração Trump pode atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
A estratégia de Brasília é ampliar as negociações diplomáticas e técnicas antes da decisão final da Casa Branca.
Consulta pública será próxima etapa
Antes de qualquer decisão definitiva, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abrirá uma fase de consulta pública.
Empresas, entidades empresariais e representantes do setor produtivo poderão apresentar manifestações sobre os possíveis impactos da medida.
Após essa etapa, o órgão deverá elaborar um relatório final até 15 de julho.
A palavra final, porém, caberá ao presidente Donald Trump, que decidirá se as tarifas serão aplicadas integralmente, modificadas ou até mesmo descartadas.
Disputa comercial continua aberta
Embora a exclusão de produtos estratégicos tenha sido recebida com alívio por diversos setores da economia brasileira, o cenário ainda é de incerteza.
A possibilidade de novas barreiras comerciais entre as duas maiores economias do continente mantém empresários e investidores atentos aos próximos movimentos de Washington.
Enquanto isso, o governo brasileiro segue apostando no diálogo para evitar que uma disputa comercial se transforme em prejuízo para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.










