Deputados vão aos EUA defender soberania brasileira e contestar pressão de Trump

Uma comitiva de parlamentares brasileiros esteve em Washington, entre os dias 3 e 5 de junho, para apresentar a autoridades e instituições norte-americanas uma posição alternativa à narrativa defendida por setores da direita brasileira sobre a situação política e econômica do país.

A missão foi formada pelos deputados federais Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG), que afirmam representar 114 parlamentares de suas respectivas bancadas na Câmara dos Deputados.

Segundo os integrantes da delegação, o objetivo da viagem foi reforçar a defesa da soberania nacional, contestar medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil e alertar organismos internacionais sobre possíveis tentativas de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

Durante a agenda nos Estados Unidos, os parlamentares entregaram documentos a congressistas americanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e outras instituições. Um dos textos defende a ampliação da cooperação internacional no combate ao crime organizado, envolvendo temas como tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e monitoramento de recursos ilícitos, sem qualquer tipo de intervenção estrangeira sobre as instituições brasileiras.

Outro documento questiona as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra o Brasil. Os parlamentares argumentam que as tarifas e pressões econômicas impostas por Washington possuem motivação política e não encontram justificativa técnica ou jurídica.

A delegação também levou aos interlocutores americanos a preocupação com as recentes discussões envolvendo o sistema de pagamentos Pix, apontado pelos parlamentares como uma ferramenta estratégica para a soberania financeira brasileira.

Segundo os deputados, o Pix representa uma inovação pública que democratizou o acesso a serviços financeiros, reduziu custos para a população e fortaleceu a independência do sistema bancário nacional. Por isso, afirmam que qualquer tentativa de enfraquecimento ou intervenção sobre o sistema seria considerada uma afronta à autonomia econômica do país.

Na Organização dos Estados Americanos, os parlamentares abordaram ainda questões ligadas à democracia e às eleições brasileiras. O grupo manifestou preocupação com a disseminação de desinformação, ataques digitais, violência política e possíveis tentativas de influência externa no processo eleitoral.

Os deputados solicitaram que organismos ligados à OEA acompanhem o cenário brasileiro nos próximos meses, reforçando mecanismos de observação eleitoral e monitoramento democrático.

Para os integrantes da missão, a iniciativa busca fortalecer a posição do Brasil diante de um contexto internacional marcado por disputas geopolíticas e pelo avanço de setores da extrema direita que tentam internacionalizar conflitos políticos internos.

A avaliação da comitiva é de que os encontros foram produtivos e que houve receptividade por parte de parlamentares e representantes de instituições norte-americanas. Segundo os deputados, diversos interlocutores demonstraram disposição para aprofundar o diálogo e acompanhar os temas apresentados.

A viagem ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington e à tentativa de setores ligados ao bolsonarismo de estreitar relações com o governo de Donald Trump durante o período pré-eleitoral brasileiro.

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