Brasil Soberano amplia acesso ao crédito para empresas afetadas por crises internacionais

Empresas brasileiras impactadas por turbulências no comércio internacional passaram a contar com regras mais flexíveis para acessar as linhas de financiamento do Programa Brasil Soberano. As novas diretrizes entraram em vigor nesta segunda-feira (8) e ampliam o alcance da iniciativa criada para apoiar setores afetados por fatores externos que prejudicam a atividade econômica.

A principal mudança reduz de 5% para 1% o percentual mínimo de impacto no faturamento exigido para que uma empresa possa solicitar crédito. Com isso, negócios que sofreram perdas menores, mas ainda significativas, passam a ter acesso aos recursos oferecidos pelo programa federal.

A medida beneficia principalmente empresas exportadoras e fornecedores que enfrentaram dificuldades em razão das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ou dos reflexos econômicos provocados pelos conflitos em andamento no Oriente Médio. O governo avalia que a flexibilização permitirá alcançar um número maior de empresas que enfrentam oscilações no mercado internacional.

Entre os beneficiados estão os integrantes do grupo formado por exportadores de produtos industriais e seus fornecedores, especialmente aqueles ligados a setores que sofreram impacto direto das barreiras comerciais norte-americanas. Também entram na lista empresas que mantêm operações ou relações comerciais com países afetados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Para acessar os financiamentos, as empresas precisarão demonstrar que as exportações representaram pelo menos 1% de seu faturamento bruto no período de referência estabelecido pelo programa. Antes da mudança, esse percentual mínimo era cinco vezes maior, o que restringia a participação de diversas companhias.

No caso das empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos, a comparação será feita com base no faturamento registrado entre julho de 2024 e junho de 2025. Já para os negócios impactados pelos conflitos no Oriente Médio, o período de análise considera o desempenho entre janeiro e dezembro de 2025.

Entre os setores contemplados estão segmentos relevantes para a economia nacional, como aço, cobre, alumínio, indústria automotiva e setor moveleiro. A expectativa é que o acesso facilitado ao crédito contribua para preservar empregos, manter investimentos e reduzir os impactos das oscilações do mercado externo.

As alterações não modificam as regras destinadas aos setores considerados estratégicos pelo governo federal. Continuam enquadradas nessa categoria atividades ligadas às áreas têxtil, química, farmacêutica, automotiva, máquinas e equipamentos, eletrônicos, informática, borracha, plástico, equipamentos de transporte e minerais críticos.

As empresas interessadas poderão consultar sua elegibilidade por meio da plataforma Gov.br utilizando certificado digital. Já aquelas enquadradas em categorias específicas devem verificar se sua Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) está entre as contempladas pelas normas do programa.

O Plano Brasil Soberano oferece diferentes modalidades de financiamento, incluindo capital de giro, apoio à produção voltada para exportação, compra de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade produtiva, investimentos em inovação tecnológica e adaptação de produtos, serviços e processos. A proposta é fortalecer a competitividade da indústria brasileira diante dos desafios impostos pelo cenário econômico internacional.

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