Novo medicamento pode reduzir perda muscular causada por canetas emagrecedoras

Um novo medicamento experimental chamado apitegromab apresentou resultados promissores na preservação da massa muscular de pessoas em tratamento contra a obesidade com medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Os dados foram publicados na revista científica Nature Medicine e indicam que a substância pode ajudar a reduzir um dos efeitos mais discutidos desses tratamentos: a perda significativa de massa magra durante o emagrecimento.
Pesquisas apontam que até um terço do peso perdido com medicamentos da classe GLP-1 pode corresponder à redução de massa muscular, além da gordura corporal. Essa condição tem despertado preocupação entre especialistas, já que a recuperação dos músculos costuma ser mais lenta e complexa do que a reposição de gordura.
O estudo envolveu 102 adultos, em sua maioria mulheres, que utilizaram o medicamento Mounjaro durante seis meses. Parte dos participantes recebeu também o apitegromab. Exames de composição corporal mostraram que o grupo tratado com a nova substância preservou cerca de 1,9 quilo adicional de massa muscular em comparação com aqueles que receberam placebo.
Os resultados indicaram que a massa magra representou apenas 14,6% da perda total de peso entre os usuários do apitegromab, contra 30,2% no grupo que utilizou apenas o medicamento para obesidade. Os pesquisadores afirmam que a preservação muscular ocorreu sem comprometer a redução de gordura corporal.
O fenômeno popularmente conhecido como “bumbum de Ozempic” está relacionado à rápida perda de gordura e tecido muscular provocada pelo emagrecimento acelerado. Embora não seja uma condição médica formalmente reconhecida, muitos pacientes relatam alterações corporais como flacidez e redução do volume dos glúteos durante o tratamento. Clínicas de cirurgia plástica nos Estados Unidos relatam aumento na procura por procedimentos relacionados a essas mudanças.
Atualmente, o apitegromab ainda está em fase experimental e só pode ser utilizado em ensaios clínicos. O medicamento é administrado por infusão intravenosa, mas a empresa responsável estuda desenvolver uma versão aplicável por canetas injetoras semelhantes às utilizadas nos tratamentos para obesidade.
A substância atua bloqueando uma proteína associada à degradação muscular. Além da obesidade, ela também está sendo estudada para o tratamento de doenças neuromusculares, como a atrofia muscular espinhal.
Especialistas consideram os resultados encorajadores, mas ressaltam que ainda são necessárias pesquisas mais amplas e com acompanhamento de longo prazo para avaliar impactos sobre força física, qualidade de vida e benefícios clínicos permanentes.
Mesmo com o avanço das pesquisas, médicos reforçam que a principal estratégia para preservar a massa muscular continua sendo a combinação entre alimentação equilibrada e exercícios de fortalecimento. Atividades como musculação, exercícios com resistência, caminhada em aclives, ciclismo, dança, ioga e exercícios com o peso do próprio corpo ajudam a manter a saúde muscular durante o processo de emagrecimento.
A ingestão adequada de proteínas também desempenha papel fundamental. Especialistas recomendam incluir fontes proteicas em todas as refeições, como carnes, peixes, ovos, feijões, lentilhas, grão-de-bico, iogurtes e oleaginosas, contribuindo para a manutenção e recuperação dos músculos ao longo do tratamento.










