Investigação conecta banco de Daniel Vorcaro a postos de gasolina suspeitos

Um repasse de R$ 102 milhões realizado pelo Banco Master, de 2023 a 2025, pode ligar a instituição de Daniel Vorcaro a um setor com suspeita de vínculos com o crime organizado: o varejo de postos de gasolina. Os pagamentos, classificados oficialmente como prestação de serviços, foram feitos à Metanoein Participações e Consultoria Ltda., empresa atualmente investigada por suposto esquema de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Rose Evelyn Machado Coité, sócia-administradora da Metanoein, é apontada pelo Ministério Público Federal como proprietária de uma rede de postos operados via laranjas. Apesar de conhecida no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro, como empresária do setor de combustíveis, não há registros de postos em seu nome ou de seus filhos, que também são suspeitos de manter os estabelecimentos em nome de terceiros.

Os registros oficiais da Receita Federal mostram Rose Evelyn participando apenas de empresas em outros setores, como advocacia, consultoria e diagnósticos médicos. A Metanoein, por sua vez, é registrada como empresa de consultoria e gestão, sem atividades declaradas no mercado de combustíveis.

Desde a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado, as apurações sobre infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no sistema financeiro avançaram, mas os repasses diretos do Master a postos de gasolina ainda não tinham sido revelados publicamente.

O Ministério Público Federal solicitou à Justiça o sequestro de contas e aplicações financeiras de Rose Evelyn e familiares, apontados como proprietários reais de postos mantidos em nome de terceiros. A investigação envolve 46 empresas, com outros 17 indivíduos atuando como laranjas.

A Metanoein compartilha endereço comercial com a Mídias Promotora, outra empresa que recebeu R$ 126,6 milhões do Master e também foi alvo de investigação sobre investimentos do Rioprevidência. Ambas utilizam sociedades em conta de participação (SCP), fundadas no mesmo dia, com sócios ostensivos e ocultos.

Gilson Bahia Vasconcelos, sócio-administrador da Mídias, apesar das cifras milionárias recebidas do Master, foi beneficiário do auxílio emergencial durante a pandemia e é réu em ação por golpe de call center contra aposentados. A defesa de Vasconcelos garante que as movimentações financeiras da Mídias são legais.

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