Redução da Jornada de Trabalho Já, Fim da Escala ¨6×1

Por Derli Dourado

O avanço da tecnologia e da automação torna cada vez mais natural que as pessoas queiram e precisem trabalhar menos para viver melhor. Quem conhece de verdade o chão de fábrica sabe que as indústrias vêm reduzindo postos de trabalho há décadas.

Desde os anos 1990, especialmente após a abertura econômica do governo Fernando Collor de Mello, o processo de automação se acelerou profundamente no Brasil.

Com a globalização impulsionada pelos governos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, espalhou-se pelo mundo um novo modelo de produção inspirado na indústria japonesa: o Toyotismo, que substituiu gradualmente o antigo Fordismo.

Antes, era comum que cada trabalhador executasse apenas uma função específica dentro da fábrica. Com o novo modelo vieram a multifuncionalidade, a intensificação do ritmo de trabalho e a redução de mão de obra.

Foi nesse contexto que Fernando Collor declarou que “os carros brasileiros eram verdadeiras carroças”, frase que simbolizou a abertura do mercado nacional à concorrência internacional e acelerou as mudanças na indústria brasileira.

Depois veio a chamada Indústria 4.0, integrando produção, engenharia, automação e tecnologia digital. Máquinas passaram a substituir ainda mais trabalhadores, aumentando a produtividade das empresas, mas sem que houvesse uma redução proporcional da jornada de trabalho.

Ou seja: produz-se mais, com menos gente, enquanto os trabalhadores continuam submetidos a longas jornadas.

Agora, com o avanço da Inteligência Artificial, a tendência é de uma transformação ainda mais profunda no mercado de trabalho. Especialistas do mundo inteiro já alertam para a eliminação de milhões de empregos em diversos setores da economia.

E diante dessa realidade, a redução da jornada de trabalho deixa de ser apenas uma reivindicação sindical: passa a ser uma necessidade social e econômica.

Não é possível combater a modernização. A tecnologia veio para ficar. Mas também não é aceitável que apenas os donos do capital usufruam dos benefícios do avanço tecnológico enquanto milhões de trabalhadores enfrentam desemprego, precarização e insegurança.

Se a automação reduz postos de trabalho, é justo e necessário reduzir também a jornada, para que o trabalho existente seja distribuído entre todos.

O ganho de produtividade precisa ser compartilhado com a sociedade.

Esse deverá ser um processo permanente: quanto maior a automação e a robotização, maior deve ser a redução da jornada de trabalho, garantindo emprego, qualidade de vida e dignidade para a população trabalhadora.

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