Comissão aprova fim da escala 6×1 e classe trabalhadora conquista vitória histórica na Câmara

Depois de mais de quatro horas de debate intenso, pressão popular e tentativas desesperadas da direita de atrasar a votação, a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) o texto-base da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho no Brasil. Foram 34 votos favoráveis contra apenas 4 contrários.

A proposta representa uma das maiores vitórias recentes da classe trabalhadora brasileira e abre caminho para a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de descanso por semana sem redução salarial.

A condução da comissão teve papel decisivo do deputado federal Alencar Santana, presidente do colegiado, que enfrentou semanas de forte pressão do empresariado, da extrema direita e de setores conservadores que tentaram sabotar, adiar e desidratar a proposta desde o início da tramitação.

Enquanto trabalhadores lotavam redes sociais e movimentos sindicais ampliavam mobilizações pelo fim da jornada exaustiva, parlamentares ligados ao PL, ao Novo e representantes do lobby empresarial atuaram nos bastidores para travar a votação e defender flexibilizações que poderiam manter jornadas abusivas disfarçadas de “negociação coletiva”.

Mesmo derrotada politicamente, a direita ainda tentou tumultuar a sessão com discursos alarmistas sobre impactos econômicos e ataques à proposta de redução da jornada. O velho roteiro de sempre: quando o trabalhador conquista direitos, a elite econômica aparece prevendo “caos”, “quebra das empresas” e “fim da economia”. Foi assim contra férias, 13º salário, carteira assinada e agora novamente contra o fim da escala 6×1.

A PEC aprovada estabelece uma transição para a jornada de 40 horas semanais. Em até 60 dias após a promulgação, a carga cai de 44 para 42 horas, com implantação da escala 5×2. Após 12 meses, a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais.

Os votos contrários vieram justamente de deputados alinhados à extrema direita e ao ultraliberalismo econômico, setores que historicamente combatem direitos trabalhistas e defendem precarização das relações de trabalho.

Nos bastidores, parlamentares governistas avaliam que a pressão popular foi determinante para derrotar a tentativa da direita de empurrar o debate para depois das eleições municipais e esvaziar a proposta.

Agora, o texto segue para votação no plenário da Câmara, onde a expectativa é de novas tentativas de sabotagem por parte da oposição conservadora e de setores ligados ao grande empresariado.

Ainda assim, o avanço da PEC já entra para a história como uma demonstração de que direitos trabalhistas nunca foram “concessões” da elite econômica, mas resultado direto de mobilização popular, pressão sindical e luta política da classe trabalhadora organizada.

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