Flávio Bolsonaro tenta sequestrar a camisa do Brasil

Há algo de profundamente arrogante, mentiroso e desrespeitoso na insistência da família Bolsonaro em tentar transformar símbolos nacionais em propriedade privada de seu grupo político. Desta vez, o protagonista foi Flávio Bolsonaro, que, durante um evento político no Pará, chamou a camisa da Seleção Brasileira de “camisa do Bolsonaro”.
Não se trata de um simples ato falho. Trata-se de uma visão de mundo. Uma visão autoritária que acredita que o Brasil, sua bandeira, suas cores e até mesmo sua Seleção pertencem a uma única corrente ideológica.
A camisa amarela não pertence a Bolsonaro. Não pertence a Flávio. Não pertence ao PL. Ela pertence ao povo brasileiro.
Muito antes de Jair Bolsonaro entrar para a política, a camisa da Seleção já emocionava gerações. Foi vestindo esse uniforme que Pelé encantou o planeta, que Garrincha fez história, que Romário conquistou o tetra e que Ronaldo liderou o penta. É um patrimônio cultural construído por milhões de brasileiros, não um acessório de campanha eleitoral.
O bolsonarismo passou anos utilizando as cores nacionais como uniforme partidário, tentando convencer a população de que patriotismo tinha dono. Agora, quando a sociedade começa a recuperar esses símbolos para todos os brasileiros, surge o incômodo. Afinal, o projeto sempre foi monopolizar a ideia de Brasil.
A fala de Flávio Bolsonaro não demonstra patriotismo. Demonstra soberba. Demonstra a pretensão de uma família que acredita poder carimbar seu sobrenome sobre aquilo que pertence a mais de 200 milhões de pessoas.
Mais grave ainda é que essa estratégia vem acompanhada de ataques permanentes, fake news e discursos de divisão nacional. Enquanto se apresentam como defensores da pátria, integrantes do clã Bolsonaro atuam frequentemente para alimentar conflitos, espalhar desinformação e atacar instituições democráticas.
A verdade é simples: a camisa da Seleção não é do Bolsonaro. Nunca foi. Nunca será.
Ela é do trabalhador que acorda cedo para sustentar a família. É da professora, do gari, do motorista, da enfermeira, do estudante, do aposentado. É do povo brasileiro em toda sua diversidade.
Quem tenta sequestrar símbolos nacionais para transformá-los em instrumento de culto político não demonstra amor ao país. Demonstra apenas uma velha obsessão por poder, protagonismo e manipulação.
O Brasil é maior que qualquer sobrenome. E a camisa da Seleção também.










