Brasil envia ajuda humanitária à Bolívia em meio à crise e bloqueios

O governo Brasil vai auxiliar no transporte de alimentos dentro da Bolívia em meio à grave crise política e social enfrentada pelo país vizinho. A operação humanitária ocorre enquanto protestos e bloqueios de estradas pressionam o governo do presidente Rodrigo Paz e provocam desabastecimento em várias regiões.

A ação será coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo Ministério da Defesa, com apoio da Força Aérea Brasileira.

Segundo o governo brasileiro, uma aeronave partirá de Brasília levando alimentos até La Paz, capital boliviana que enfrenta dificuldades de abastecimento após semanas de bloqueios em rodovias.

Depois de descarregar os mantimentos, o avião também será utilizado para transportar produtos entre cidades bolivianas, principalmente entre Santa Cruz de la Sierra e La Paz.

A operação foi definida após conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz realizada nesta segunda-feira (25).

Segundo o Palácio do Planalto, Lula manifestou solidariedade ao povo boliviano e defendeu respeito às instituições democráticas, além de pedir diálogo entre governo e movimentos sociais para evitar o agravamento da violência.

A Bolívia vive uma onda de protestos desde a posse de Rodrigo Paz, ocorrida após quase 20 anos de governos ligados à esquerda boliviana.

A crise começou após medidas econômicas adotadas pelo novo governo, incluindo o fim de subsídios aos combustíveis e mudanças em leis fundiárias criticadas por movimentos indígenas, camponeses e setores populares.

Mesmo após o recuo do governo e a revogação das medidas sobre terras, os protestos continuaram crescendo.

Os atos já provocaram mortes, prisões, confrontos e bloqueios em várias regiões do país.

O governo boliviano acusa grupos ligados ao narcotráfico e setores políticos aliados ao ex-presidente Evo Morales de estimular os protestos. Já movimentos sociais afirmam que Rodrigo Paz perdeu legitimidade para governar e defendem novas eleições.

A crise boliviana se tornou mais um foco de instabilidade política na América do Sul e vem sendo acompanhada de perto por governos da região.

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