Brasil promete responder exigências da União Europeia para manter exportações de carne

O governo brasileiro informou que enviará nas próximas duas semanas um conjunto de informações técnicas à União Europeia para demonstrar o avanço na implementação das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. A medida busca evitar impactos mais amplos sobre as exportações brasileiras de produtos de origem animal para o mercado europeu.

A declaração foi feita pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luís Rua, após reunião realizada em Bruxelas entre representantes do governo brasileiro e autoridades sanitárias da União Europeia.

Segundo Rua, o Brasil apresentará detalhes sobre as ações já adotadas para atender às novas exigências do bloco europeu, além de garantias de que os ajustes necessários serão concluídos dentro dos prazos estabelecidos.

Durante o encontro, o governo brasileiro também manifestou insatisfação com a forma como a decisão foi comunicada pelas autoridades europeias. A avaliação é que a medida surpreendeu o setor produtivo e poderia ter sido discutida previamente de forma mais transparente entre os parceiros comerciais.

A controvérsia teve início após a União Europeia atualizar sua lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. O Brasil foi retirado da relação por não atender integralmente às exigências relacionadas ao controle do uso de determinados antimicrobianos na produção animal.

As regras europeias proíbem o uso de substâncias específicas para prevenção de doenças e promoção do crescimento dos animais. Entre os produtos restritos estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.

Apesar da decisão, representantes do setor exportador afirmam que o Brasil continua habilitado para fornecer carne ao mercado europeu enquanto as negociações seguem em andamento e os novos critérios são avaliados.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também comentou o tema durante evento promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho). Segundo ele, o impasse deve ser solucionado por meio do diálogo técnico entre as partes.

Alckmin ressaltou que o Brasil possui reconhecimento internacional pelos padrões sanitários adotados tanto na produção animal quanto vegetal e destacou a importância estratégica da relação comercial entre Mercosul e União Europeia.

O governo brasileiro avalia que a cooperação técnica será fundamental para garantir a continuidade das exportações e preservar o acesso dos produtos nacionais a um dos mercados mais importantes do mundo.

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