Operação atinge produtora de filme sobre Bolsonaro

As investigações em torno do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro, ganharam um novo capítulo após uma operação policial atingir diretamente estruturas ligadas à produtora responsável pelo longa.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça acesso a dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, além do Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por ela.
A medida faz parte de um inquérito que investiga suspeitas de superfaturamento, irregularidades contratuais e possível desvio de recursos públicos em um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado para implantação de pontos de internet Wi-Fi na cidade de São Paulo.
Investigação mira movimentações financeiras
De acordo com os investigadores, o objetivo é analisar movimentações consideradas atípicas e eventuais operações suspeitas envolvendo pessoas físicas e jurídicas ligadas à estrutura empresarial da produtora.
A polícia também solicitou relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão responsável por monitorar operações financeiras suspeitas no país.
O caso corre sob sigilo judicial.
Filme já acumulava polêmicas
O longa “Dark Horse” já vinha cercado de controvérsias antes mesmo da nova fase das investigações.
Reportagens anteriores apontaram que a produção teria operado no Brasil sem cumprir integralmente exigências da Agência Nacional do Cinema (Ancine), incluindo questões relacionadas a registros formais, vistos de trabalho para profissionais estrangeiros e contratos trabalhistas.
Também surgiram denúncias envolvendo condições de trabalho durante as filmagens, atrasos de pagamento e reclamações de integrantes da equipe técnica.
Caso amplia crise do “BolsoMaster”
A nova operação ocorre em meio ao crescimento das investigações envolvendo o chamado escândalo “BolsoMaster”, que reúne suspeitas sobre o financiamento milionário do filme, a participação de aliados da família Bolsonaro e a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Nos últimos meses, vieram à tona áudios, reuniões reservadas, negociações milionárias e versões contraditórias envolvendo Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e integrantes da produção do longa.
As suspeitas incluem possíveis operações financeiras internacionais, movimentações milionárias sem transparência e questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados no projeto cinematográfico.
Pressão aumenta
A produtora Go Up Entertainment nunca havia lançado um longa-metragem de grande porte antes da produção de “Dark Horse”, fato que também passou a chamar atenção de investigadores e de setores da imprensa diante dos valores envolvidos na obra.
Enquanto as investigações avançam, cresce a pressão para que os responsáveis expliquem a origem dos recursos, a estrutura financeira utilizada na produção e as conexões entre o filme, contratos públicos e personagens já envolvidos em outros escândalos políticos e financeiros.
O que começou como uma cinebiografia de exaltação ao bolsonarismo caminha, cada vez mais, para se transformar em um dos episódios mais explosivos envolvendo dinheiro, política e suspeitas de irregularidades no entorno da extrema direita brasileira.









