Flávio tenta se desvincular de desgaste após visita a Trump

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, enfrenta um momento de desgaste político após sua viagem aos Estados Unidos e os encontros com o presidente Donald Trump e integrantes do governo norte-americano.

A visita, inicialmente apresentada como uma demonstração de prestígio internacional, acabou produzindo efeitos negativos para o parlamentar. De um lado, Flávio comemorou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. De outro, precisou correr para conter os danos provocados pela proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros, medida que passou a ser associada ao senador nas redes sociais por meio do apelido “Tariflávio”.

O cenário se agravou após a divulgação de informações sobre negociações envolvendo recursos milionários destinados à produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. As revelações provocaram questionamentos sobre o financiamento do projeto e levaram o senador a promover mudanças em sua equipe de comunicação e anunciar uma auditoria interna.

Diante da repercussão negativa, Flávio e seus aliados iniciaram uma estratégia para tentar inverter a narrativa. Em entrevistas recentes, o senador passou a defender que a verdadeira ameaça à soberania nacional não estaria em possíveis interferências externas, mas na expansão do poder das facções criminosas em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, o núcleo político bolsonarista tenta transferir para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelas tensões diplomáticas com os Estados Unidos. Segundo essa versão, o governo federal estaria contribuindo para o agravamento do conflito comercial ao adotar uma postura considerada hostil em relação à administração Trump.

A movimentação ocorre porque aliados do PL avaliam que a associação entre a viagem de Flávio aos Estados Unidos e a possibilidade de prejuízos econômicos ao Brasil pode se transformar em um problema eleitoral. O temor é que o episódio fortaleça o discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo Lula, repetindo fenômeno semelhante ao observado em disputas políticas anteriores.

Na tentativa de reduzir os danos, Flávio Bolsonaro passou a afirmar publicamente que está disposto a colaborar para evitar a aplicação das novas tarifas sobre produtos brasileiros. O senador também busca se apresentar como interlocutor capaz de dialogar com setores do governo norte-americano e minimizar eventuais impactos para empresas e trabalhadores brasileiros.

A mudança de postura ocorre em meio à reformulação de sua estratégia de comunicação e à necessidade de conter o desgaste provocado por uma sequência de episódios que colocaram sua pré-candidatura sob pressão nas últimas semanas.

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