Fim da taxa das blusinhas faz varejo cogitar demissões e importar mais

Se importar, varejista nacional paga quase quatro vezes mais em tributos que produtos que entram no país via remessa, diz Riachuelo. A conta considera imposto de importação (35%), PIS/Cofins (11,75%) e ICMS (17% a 22%, dependendo do estado em que a mercadoria for vendida). Por outro lado, um produto similar importado da China diretamente pelo consumidor via remessa vai pagar apenas o ICMS estadual, da ordem de 20% no máximo.
Para importar, pagamos quatro vezes mais impostos. Para ter um lucro de R$ 20, ou seja, 10%, eu preciso vender uma camisa por R$ 200. O importado via remessa, para ter o mesmo lucro, pode vender por R$ 140.
André Farber, diretor-geral da Guararapes
Para produzir no Brasil, tributação também chega a ser mais que o dobro da paga por importados via remessa sem taxa de importação. Segundo cálculos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), uma camisa produzida no Brasil paga de 34,6% a 45% em tributos e taxas. Se forem considerados os encargos trabalhistas embutidos em todas as etapas da produção, a carga tributária supera os 50%.
Governo deveria recuar da decisão, defende empresa. Por isso, o CEO da Riachuelo diz que espera a volta da taxa das blusinhas por uma questão de justiça. “O justo é que seja revisto”, afirma.
Faz sentido o governo querer dar mais acesso da população a produtos, mas isso não pode ser feito via assimetria de imposto. Se for para ter redução de imposto, que seja para todos.
André Farber, diretor-geral da Guararapes
Caso situação não seja revertida, setor pode recorrer a demissões. O executivo afirma que essa desvantagem de custo torna a competição inviável para produtos de até US$ 50. Assim, a Riachuelo não descarta reduzir o número de vagas para ajustar a produção às condições de preços da concorrência dos importados.










