Datafolha mostra Lula mais forte entre eleitores de centro enquanto “terceira via” segue sem empolgar

A nova pesquisa do Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece mais competitivo entre os eleitores de centro do que o senador Flávio Bolsonaro, mesmo diante da tentativa do bolsonarismo de suavizar a própria imagem para 2026.

Segundo o levantamento, entre os entrevistados que se posicionam no centro ideológico, Lula registra 29% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 20%.

O dado revela uma dificuldade da extrema direita em romper sua própria bolha mais radicalizada e conquistar setores moderados do eleitorado brasileiro.

Nos últimos meses, Flávio Bolsonaro vem tentando construir uma imagem menos agressiva do que a do pai, Jair Bolsonaro, buscando se apresentar como um nome mais “equilibrado” politicamente.

Mas os números mostram que, até agora, a estratégia ainda enfrenta resistência significativa fora do núcleo duro bolsonarista.

A pesquisa também escancara o fracasso, até o momento, das chamadas candidaturas de “terceira via”, que seguem sem conseguir ocupar de forma consistente o espaço político do centro brasileiro.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ligado ao PSD, aparece com apenas 6% entre os eleitores centristas.

Já o escritor Augusto Cury, lançado pelo Avante como possível nome de centro, também registra 6% nesse segmento, apesar de obter apenas 2% no eleitorado geral.

Outros nomes da direita liberal e conservadora, como Renan Santos e Romeu Zema, aparecem ainda mais distantes da preferência do eleitor moderado.

Analistas políticos avaliam que o cenário reforça uma tendência já observada nos últimos anos:
o chamado “centro político” brasileiro segue fragmentado, sem liderança forte e sem capacidade real de empolgar o eleitorado.

Enquanto isso, Lula continua mantendo vantagem justamente por conseguir dialogar com setores mais amplos da sociedade, incluindo parcelas moderadas que rejeitam tanto a radicalização bolsonarista quanto candidaturas consideradas frágeis ou sem densidade política.

A pesquisa também ocorre em um momento delicado para Flávio Bolsonaro, após o desgaste provocado pelo escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, episódio que aumentou a pressão sobre a pré-campanha do senador.

Nos bastidores políticos, cresce a percepção de que a extrema direita brasileira enfrenta dificuldades para ampliar apoio além de sua base mais ideológica, enquanto o campo progressista tenta consolidar Lula como figura capaz de atrair não apenas eleitores da esquerda, mas também setores preocupados com estabilidade democrática e rejeição ao extremismo político.

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