Tarifaço dos EUA preocupa indústria brasileira

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros provocou forte reação de entidades empresariais e representantes da indústria nacional. Diversos setores alertam para riscos à competitividade, perda de mercados e aumento dos custos nas relações comerciais entre os dois países.
A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Caso seja confirmada, a nova taxação poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho.
Setores reagem com preocupação
Entre os segmentos mais preocupados está a indústria moveleira.
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) destaca que móveis de madeira aparecem diretamente entre os produtos citados no relatório americano, o que pode gerar insegurança nas negociações com compradores dos Estados Unidos e comprometer contratos futuros.
Já a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alerta que a elevação de tarifas tende a encarecer investimentos, reduzir a competitividade e afetar cadeias produtivas integradas entre os dois países.
Fiesp cobra ação rápida
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) classificou a proposta como preocupante e defendeu uma atuação firme do governo brasileiro para evitar prejuízos às exportações nacionais.
Segundo a entidade, as negociações diplomáticas realizadas até agora ajudaram a garantir a exclusão de alguns produtos da lista inicial, mas ainda há riscos significativos para diversos setores da economia.
Comércio bilateral em risco
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) considera que ainda existe espaço para negociação antes da decisão final do governo norte-americano.
A entidade avalia que o relatório divulgado não representa uma decisão definitiva e espera que Brasil e Estados Unidos mantenham o diálogo aberto para evitar impactos negativos sobre investimentos e relações comerciais.
Pequenas empresas podem ser as mais afetadas
Para a Associação Nacional dos Sindicatos da Micro e Pequena Indústria (Assimpi), o impacto pode ser especialmente severo para os pequenos negócios.
A entidade estima que cerca de 27% das exportações brasileiras poderão ser atingidas pela medida e alerta que empresas de menor porte dificilmente terão margem financeira para absorver uma sobretaxa dessa magnitude.
Calçados e Pix entram na discussão
O setor calçadista também demonstrou preocupação.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) destacou que os Estados Unidos são um dos principais mercados para o produto brasileiro e que uma nova tarifa aumentaria a insegurança tanto para exportadores quanto para importadores.
Já a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) acompanha os desdobramentos relacionados às críticas norte-americanas ao Pix, defendendo a preservação de um sistema que trouxe redução de custos e maior eficiência para milhares de empresas brasileiras.
Negociações seguem até julho
O governo dos Estados Unidos ainda abrirá período de consulta pública antes da decisão definitiva.
Até lá, entidades empresariais brasileiras, representantes da indústria e o governo federal tentam ampliar as negociações diplomáticas para evitar que a medida seja confirmada.
A expectativa do setor produtivo é que prevaleça o diálogo e que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, construída ao longo de décadas, não seja prejudicada por novas barreiras tarifárias.










