Flávio tenta herdar bolsonarismo, mas vê Lula ampliar vantagem na corrida presidencial

A extrema direita brasileira já definiu sua aposta para a disputa presidencial de 2026. O Partido Liberal (PL) pretende oficializar no próximo dia 25 de julho a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, em uma convenção nacional marcada para São Paulo. A escolha da capital paulista não é casual: trata-se de uma tentativa de aproveitar a força eleitoral do governador Tarcísio de Freitas, que lidera as pesquisas para a reeleição no maior colégio eleitoral do país.

A decisão também simboliza uma mudança de estratégia do bolsonarismo. Diferentemente das campanhas de Jair Bolsonaro, lançadas no Rio de Janeiro, a família agora busca apoio em um estado considerado decisivo para qualquer projeto nacional. Nos bastidores, a avaliação é que o sobrenome Bolsonaro, sozinho, já não possui a mesma capacidade de mobilização de anos anteriores e necessita do reforço de aliados regionais para permanecer competitivo.

O cenário é especialmente delicado para o grupo político do ex-presidente. No Rio de Janeiro, tradicional reduto bolsonarista, a direita enfrenta dificuldades para construir uma candidatura forte ao governo estadual. O presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, ainda apresenta baixo nível de conhecimento popular quando comparado ao ex-prefeito Eduardo Paes, que aparece com vantagem nas pesquisas. Além disso, o governador Cláudio Castro, aliado histórico da família Bolsonaro, abandonou seus planos de disputar o Senado após ser atingido por operações da Polícia Federal.

Enquanto o bolsonarismo tenta reorganizar suas bases, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao meio de 2026 em posição mais confortável do que em qualquer outro momento da pré-campanha. Levantamento recente da Genial/Quaest aponta crescimento da vantagem do petista sobre Flávio Bolsonaro no principal cenário de segundo turno.

Segundo a pesquisa, Lula aparece com 44% das intenções de voto contra 38% do senador do PL. O resultado representa avanço do presidente e queda do adversário, sinalizando dificuldades da extrema direita para ampliar sua influência junto ao eleitorado moderado.

O desgaste do senador ocorre em meio a episódios que repercutiram negativamente nas últimas semanas. Entre eles está o caso envolvendo mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, além da crise diplomática gerada pelas ameaças de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Para analistas políticos, a principal dificuldade da candidatura de Flávio é escapar da condição de herdeiro político do pai sem conseguir apresentar um projeto próprio para o país. A estratégia tem se concentrado na manutenção da retórica de confronto que marcou os anos de Jair Bolsonaro, apostando na polarização permanente e no discurso contra o governo federal.

Por outro lado, Lula tem buscado fortalecer a imagem de estabilidade institucional, crescimento econômico e defesa da soberania nacional, especialmente após os recentes atritos comerciais envolvendo os Estados Unidos. O contraste entre os dois campos políticos deve dominar os próximos meses da disputa eleitoral.

A convenção do PL servirá como largada oficial da campanha de Flávio Bolsonaro. No entanto, os números das pesquisas indicam que o senador inicia a corrida em uma posição mais difícil do que a enfrentada por seu pai em eleições anteriores, tendo pela frente o desafio de convencer o eleitorado de que representa algo além da continuidade do bolsonarismo.

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