PSDB tenta ressuscitar “terceira via” com pré-candidatura de Aécio Neves

A federação formada por Partido da Social Democracia Brasileira e Cidadania anunciou nesta terça-feira (26) a aprovação da pré-candidatura presidencial do deputado Aécio Neves para a disputa de 2026.
O movimento, tratado nos bastidores como mais uma tentativa de reconstruir a chamada “terceira via”, reúne setores da velha política liberal que tentam sobreviver entre o crescimento do bolsonarismo e a liderança popular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reunião aconteceu em Brasília e contou também com a presença do presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, que sinalizou apoio à possível candidatura tucana.
Mesmo assim, o próprio Aécio ainda evita confirmar oficialmente se disputará o Palácio do Planalto.
Durante o encontro, lideranças tucanas tentaram vender a candidatura como alternativa ao cenário polarizado entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
O discurso repete a velha narrativa de um suposto “centro moderado”, embora setores progressistas apontem que o PSDB teve papel decisivo na crise política que abriu caminho para o avanço da extrema direita no país.
Aécio Neves foi candidato à Presidência em 2014 e perdeu para a então presidenta Dilma Rousseff.
Após a derrota, o PSDB questionou o resultado das urnas e ajudou a alimentar o clima de instabilidade política que desembocaria anos depois no fortalecimento do bolsonarismo e na radicalização da extrema direita brasileira.
O próprio Aécio virou símbolo da crise moral e política do tucanato após ser gravado, em 2017, pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.
Embora tenha sido absolvido posteriormente em segunda instância, o episódio marcou profundamente sua imagem pública e acelerou o desgaste histórico do PSDB, partido que durante décadas ocupou espaço central na política nacional.
Hoje, o cenário é bem diferente.
Nas eleições de 2022, Aécio se reelegeu deputado federal com votação muito inferior à de eleições anteriores, refletindo o esvaziamento político do tucanato após anos de crise, divisões internas e perda de relevância nacional.
Mesmo assim, setores ligados ao mercado e ao establishment político seguem tentando reconstruir um polo liberal-conservador que funcione como alternativa eleitoral ao campo progressista liderado por Lula e ao bolsonarismo mais radicalizado.










