Escândalo “Dark Horse” derruba Flávio Bolsonaro e Lula amplia vantagem, aponta Datafolha

A primeira pesquisa do Datafolha após a explosão do escândalo “Dark Horse” mostrou um duro golpe na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro e um crescimento importante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de 2026.

Segundo o levantamento, Lula abriu nove pontos de vantagem sobre o filho de Jair Bolsonaro no cenário de primeiro turno:

  • Lula aparece com 40%;
  • Flávio Bolsonaro tem 31%.

Na pesquisa anterior, divulgada antes da repercussão completa do caso, a distância era de apenas três pontos, dentro da margem de erro.

No segundo turno, o cenário também mudou.

O empate técnico registrado anteriormente deu lugar a uma vantagem de quatro pontos para Lula:

  • Lula: 47%;
  • Flávio Bolsonaro: 43%.

O desgaste acontece após as revelações envolvendo pedidos de dinheiro feitos por Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção que buscaria retratar a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

A situação se agravou porque o senador passou dias mudando versões sobre o caso.

Primeiro acusou a imprensa de divulgar fake news.
Depois admitiu os pedidos de recursos.
Mais tarde reconheceu encontros com Vorcaro após a saída do empresário da prisão.

O ex-banqueiro está no centro de um escândalo bilionário envolvendo suspeitas de emissão de títulos podres, manipulação financeira e relações com setores políticos e empresariais.

As investigações já alcançam nomes influentes da direita brasileira e colocam novamente o bolsonarismo no centro de suspeitas envolvendo negócios obscuros, relações financeiras nebulosas e articulações de bastidores.

A pesquisa mostra ainda que o caso teve forte impacto na opinião pública.

Segundo o Datafolha:

  • 64% dos entrevistados disseram conhecer o escândalo;
  • e o mesmo percentual considera que Flávio Bolsonaro agiu de maneira errada.

Mesmo assim, o senador ainda segue como principal nome da extrema direita na disputa presidencial.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também aparece em cenários eleitorais, mas com desempenho inferior ao de Flávio no primeiro turno.

No confronto direto contra Lula:

  • Michelle teria 43%;
  • Lula aparece com 48%.

O levantamento também escancara algo que a direita tenta esconder:
o desgaste político do bolsonarismo após anos de escândalos, ataques às instituições, tentativa de golpe e radicalização permanente.

Enquanto isso, Lula mantém forte apoio entre:

  • mulheres;
  • população de baixa renda;
  • nordestinos;
  • trabalhadores;
  • e setores populares historicamente ligados às políticas sociais do PT.

Já Flávio concentra apoio principalmente entre:

  • evangélicos;
  • homens;
  • setores mais conservadores;
  • e parte da classe média alta.

A pesquisa também evidencia como parte da extrema direita brasileira segue profundamente dependente da guerra cultural, da desinformação e da vitimização política para tentar sobreviver eleitoralmente.

Mesmo diante de escândalos sucessivos, setores bolsonaristas continuam tentando transformar investigações e denúncias em narrativa de “perseguição”, repetindo a estratégia já utilizada por Jair Bolsonaro em diversas crises.

Mas os números mostram que o desgaste finalmente começa a atingir o núcleo político da família Bolsonaro de forma mais intensa.

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