PT assume redes de Lula e prepara comunicação mais agressiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adotar uma postura mais combativa nas redes sociais nas próximas semanas. A estratégia passa pela transferência da gestão de seus perfis pessoais para o Partido dos Trabalhadores, retirando o comando da estrutura oficial do governo federal.

Hoje administradas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, as contas de Lula têm foco principalmente institucional, voltado à divulgação de agendas e ações oficiais. Com a mudança, o PT pretende dar um tom mais político e eleitoral às publicações, intensificando ataques aos adversários e fortalecendo a imagem do presidente para o cenário de 2026.

A mudança também provocará alterações dentro do governo. O fotógrafo e aliado histórico de Lula, Ricardo Stuckert, deixará a Secretaria de Comunicação para atuar diretamente no PT.

Responsável há anos pela imagem pública do presidente, Stuckert passará a trabalhar ao lado de Nicole Briones, especialista em marketing digital que já coordenou as redes de Lula entre 2017 e 2021, período em que o petista recuperou força política e liderou pesquisas eleitorais.

Nos bastidores, aliados avaliam que o crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas projeções eleitorais acelerou a decisão de antecipar uma comunicação mais agressiva nas plataformas digitais.

O PT já vinha explorando nas redes sociais o chamado caso “Dark Horse”, envolvendo conversas atribuídas a Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Após a repercussão do caso, pesquisas apontaram ampliação da vantagem de Lula em cenários eleitorais simulados.

A mudança também expõe insatisfação de setores do governo com a estratégia digital conduzida pelo ministro Sidônio Palmeira. Interlocutores do presidente criticam a falta de impacto político de algumas campanhas institucionais divulgadas nas redes.

Apesar das críticas, a atual gestão da Secom ampliou fortemente os investimentos em publicidade digital. Em 2025, pela primeira vez, o governo federal gastou mais com anúncios em plataformas da Meta e do Google do que em campanhas nas emissoras SBT e Band.

Segundo dados do governo, mais de R$ 234 milhões foram destinados à publicidade digital no último ano, com campanhas regionalizadas voltadas principalmente para estados estratégicos eleitoralmente, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Entre os temas mais impulsionados pelo governo nas redes estão isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, segurança pública, combate à violência contra mulheres e crianças e o fim da escala 6×1.

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