Marinho desmonta narrativa de Trump

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reagiu com dureza à nova tentativa do governo de Donald Trump de impor barreiras comerciais ao Brasil. Segundo Marinho, as acusações de que produtos brasileiros estariam ligados ao trabalho forçado são uma “desculpa esfarrapada” utilizada por Washington para justificar mais uma rodada de medidas protecionistas contra a economia brasileira.
A ofensiva norte-americana surgiu após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgar um relatório envolvendo dezenas de países, incluindo o Brasil, sob a alegação de supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Para o ministro, a acusação ignora a realidade e tenta criar uma narrativa conveniente para interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos.
Marinho afirmou que o Brasil é reconhecido internacionalmente por suas políticas de combate ao trabalho escravo contemporâneo e destacou que o país se tornou referência mundial no tema. Segundo ele, a fiscalização brasileira e os mecanismos de controle adotados ao longo das últimas décadas são frequentemente utilizados como exemplo em fóruns internacionais.
“O Brasil não deve nada a ninguém nessa área. Pelo contrário, diversos países procuram conhecer nossas experiências e aprender com os mecanismos que desenvolvemos para combater o trabalho análogo à escravidão”, afirmou.
Na avaliação do ministro, a nova investida comercial da Casa Branca ocorre após derrotas enfrentadas por Trump no próprio sistema judicial norte-americano. Recentemente, decisões da Justiça dos Estados Unidos impuseram obstáculos a medidas tarifárias anunciadas pelo republicano, obrigando o governo a buscar novos argumentos para sustentar sua política econômica nacionalista.
Para integrantes do governo brasileiro, a estratégia repete o roteiro utilizado em 2025, quando Washington tentou justificar um pacote de tarifas alegando prejuízos comerciais causados pelo Brasil. Na ocasião, dados oficiais mostraram justamente o contrário: os Estados Unidos acumulavam superávit na relação comercial entre os dois países.
O ministro afirmou que as novas acusações seguem a mesma lógica, baseada em justificativas consideradas frágeis para defender medidas protecionistas que buscam favorecer a indústria norte-americana em detrimento dos concorrentes estrangeiros.
Marinho também reforçou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará buscando o diálogo diplomático, mas deixou claro que o país não permanecerá passivo diante de ataques à sua economia.
Segundo ele, caso as negociações não avancem, o Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, permitindo que o país responda a barreiras unilaterais impostas por governos estrangeiros.
“O Brasil quer diálogo, quer parceria e quer comércio justo. Mas também não aceitará ser alvo de acusações sem fundamento para atender interesses eleitorais ou protecionistas de outros países”, afirmou.
A nova tensão comercial evidencia o choque entre a política externa defendida pelo governo Lula, baseada na ampliação de mercados e na cooperação internacional, e a estratégia nacionalista adotada por Trump, que vem ampliando disputas tarifárias contra diversos parceiros comerciais ao redor do mundo.
Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é de que a tentativa de associar o país a práticas de trabalho forçado não apenas ignora os avanços conquistados nas últimas décadas, como também busca enfraquecer a competitividade de setores estratégicos da economia nacional em um momento de crescente disputa por mercados globais.









