China força Meta a recuar e desmontar compra bilionária de startup de IA

A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou oficialmente o processo de desmonte da compra da Manus AI, startup chinesa especializada em agentes de inteligência artificial. O negócio, avaliado em US$ 2 bilhões, era considerado uma das maiores aquisições do setor, mas acabou esbarrando na ofensiva regulatória do governo chinês sobre tecnologias estratégicas.

Segundo informações divulgadas pelo Bloomberg e repercutidas pelo TechCrunch, a empresa de Mark Zuckerberg já começou a cortar laços operacionais com a startup. Funcionários da Meta foram proibidos de utilizar ferramentas desenvolvidas pela Manus em projetos internos, enquanto sistemas compartilhados e fluxos de dados entre as duas companhias estão sendo desligados gradualmente.

A decisão ocorre após uma ordem emitida pelas autoridades chinesas há cerca de dois meses, que determinaram o desinvestimento da operação sob a justificativa de riscos à segurança nacional e possíveis violações das regras de exportação tecnológica e investimentos estrangeiros.

O caso evidencia o endurecimento da política de Pequim em relação ao setor de inteligência artificial, considerado uma área estratégica para a soberania tecnológica do país. Nos últimos anos, a China vem ampliando o controle sobre empresas privadas de tecnologia, restringindo investimentos estrangeiros e impondo regras mais rígidas para transferência de conhecimento e dados.

A Manus AI ganhou notoriedade internacional após demonstrar um avançado sistema de agentes autônomos de inteligência artificial, capaz de executar tarefas complexas com pouca intervenção humana. O sucesso da tecnologia chamou a atenção da Meta, que anunciou a aquisição da empresa em dezembro de 2025.

Entretanto, a origem chinesa da startup passou a gerar desconforto tanto em Pequim quanto em Washington. Nos Estados Unidos, parlamentares questionaram se recursos americanos deveriam financiar empresas ligadas ao ecossistema tecnológico chinês. Já para o governo chinês, a venda de uma companhia considerada estratégica para uma gigante norte-americana representava um risco crescente.

Agora, os próprios fundadores da Manus negociam uma nova rodada de investimentos estimada em cerca de US$ 1 bilhão para recuperar a independência da empresa. A expectativa é que a startup seja reorganizada sob uma nova estrutura chinesa, podendo inclusive abrir capital na Bolsa de Hong Kong.

O episódio também revela uma transformação mais ampla no cenário global da inteligência artificial. Em meio à disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, governos passaram a tratar empresas de IA não apenas como negócios privados, mas como ativos estratégicos ligados à soberania nacional, segurança econômica e influência geopolítica.

Enquanto isso, a Manus continua desenvolvendo produtos e expandindo operações. Nesta semana, a empresa anunciou novas integrações com plataformas como Shopify e Similarweb, sinalizando que pretende manter o crescimento mesmo diante da separação forçada da Meta.

Mais do que uma simples disputa empresarial, o caso demonstra que a corrida global pela inteligência artificial está cada vez mais subordinada aos interesses geopolíticos das grandes potências. E, nesse novo cenário, bilhões de dólares podem não ser suficientes para superar as barreiras impostas pelos governos quando tecnologia, dados e soberania entram em jogo.

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