Nvidia anuncia recompra bilionária de ações e amplia dividendos em meio ao boom da IA

A Nvidia anunciou nesta quarta-feira (20) um novo programa de recompra de ações no valor de US$ 80 bilhões e um aumento expressivo no pagamento de dividendos aos acionistas, reforçando sua estratégia de distribuir parte da gigantesca reserva de caixa acumulada durante a expansão global da inteligência artificial.
A companhia, atualmente considerada a empresa mais valiosa do mundo, também divulgou projeção de US$ 91 bilhões em receita para o trimestre atual, superando as expectativas médias do mercado, estimadas em US$ 86 bilhões. O resultado, porém, ficou abaixo das previsões mais otimistas de analistas do setor.
No trimestre encerrado em abril, a Nvidia registrou receita de US$ 81,6 bilhões, crescimento de 85% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido alcançou US$ 58,3 bilhões, enquanto a receita da divisão de data centers, principal motor do avanço da inteligência artificial, chegou a US$ 75,2 bilhões, praticamente o dobro do registrado um ano antes.
O CEO Jensen Huang afirmou que a construção da infraestrutura global de inteligência artificial avança em ritmo sem precedentes. Segundo ele, o setor vive a maior expansão de infraestrutura tecnológica da história, impulsionada por investimentos maciços de gigantes como Google, Microsoft, Amazon e Meta.
Além da recompra de ações, a Nvidia elevará seu dividendo trimestral para US$ 0,25 por ação, ante apenas US$ 0,01 anteriormente. Com a mudança, o valor anual destinado aos acionistas chegará a aproximadamente US$ 24 bilhões.
A decisão ocorre em meio à pressão de investidores para que a companhia distribua parte do caixa acumulado. Mesmo assim, a empresa continua ampliando investimentos. O fluxo de caixa utilizado em aquisições e aplicações estratégicas atingiu US$ 26,4 bilhões no trimestre, contra US$ 5,2 bilhões no mesmo período do ano passado.
A Nvidia se consolidou como a principal beneficiária da corrida global pela inteligência artificial. O crescimento acelerado da demanda por seus chips tem sido impulsionado pelos investimentos bilionários das maiores empresas de tecnologia do mundo, que projetam gastos combinados de cerca de US$ 725 bilhões em infraestrutura de IA até 2026.
Os resultados da fabricante também são observados como um indicador da força do setor tecnológico. Segundo dados do mercado financeiro, a Nvidia respondeu sozinha por quase 20% dos ganhos registrados pelo índice S&P 500 desde o início do ano.
Apesar do desempenho robusto, a empresa enfrenta desafios. A crescente concorrência de rivais como AMD e Intel, além do desenvolvimento de chips próprios por empresas como Google e Amazon, aumenta a disputa por participação no mercado de inteligência artificial.
A companhia também acompanha com atenção a relação entre Estados Unidos e China. A Nvidia confirmou que não incluiu receitas potenciais provenientes do mercado chinês em suas projeções atuais. Embora tenha recebido licenças do governo americano para fornecer chips de IA a clientes chineses, a empresa ainda aguarda autorizações das autoridades de Pequim para que as compras sejam efetivamente realizadas.
A situação ganhou novos contornos após a recente visita de Jensen Huang à China e os encontros diplomáticos entre representantes dos governos americano e chinês. Paralelamente, autoridades chinesas proibiram a importação do chip RTX 5090D V2, desenvolvido especificamente para aquele mercado, ampliando as incertezas sobre o futuro das operações da empresa no país asiático.
Mesmo diante das tensões geopolíticas e da concorrência crescente, os números reforçam a posição da Nvidia como principal protagonista da revolução da inteligência artificial que vem transformando a economia global.










