Oportunismo tem prazo de validade

por Osmar Wang

Curioso ver certos deputados agora posando de defensores dos trabalhadores.

Li no jornal da cidade uma matéria destacando que os deputados Rodrigo Gambale e Marcio Alvino votaram a favor do fim da escala 6×1.

Muito bem. Votaram corretamente. Aliás, seria difícil fazer diferente.

Mas a questão que precisa ser feita não é sobre este voto específico. A pergunta que todo trabalhador deveria fazer é outra: onde estavam esses parlamentares quando o debate era a valorização do trabalho? Onde estavam quando sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores denunciavam jornadas abusivas, baixos salários, precarização das relações de trabalho e perda de direitos?

Porque uma coisa é votar a favor quando a pauta já ganhou as ruas. Outra bem diferente é liderar essa luta quando ela ainda enfrenta resistência dos grandes grupos econômicos e dos setores que lucram às custas do cansaço e da exploração da classe trabalhadora.

Quando milhões de brasileiros passam a defender uma proposta e ela se transforma numa das pautas mais populares do país, votar contra deixa de ser uma questão ideológica e passa a ser um problema eleitoral.

Nessa hora, até quem nunca levantou a bandeira dos trabalhadores aparece querendo posar na foto.

Por isso, o eleitor precisa aprender a olhar além do voto isolado. Um único voto não conta a história completa de um mandato.

É preciso analisar a trajetória.
Quantos projetos esses parlamentares apresentaram para reduzir jornadas abusivas?
Quantas vezes defenderam aumentos reais de salário?
Quantas vezes estiveram ao lado dos trabalhadores em momentos decisivos?
Quantas vezes enfrentaram os interesses dos grandes grupos econômicos que resistem a qualquer avanço nos direitos trabalhistas?

A resposta para essas perguntas vale muito mais do que um voto registrado quando a maré já estava favorável.

A verdade é que a PEC do fim da escala 6×1 não surgiu da boa vontade de deputados. Ela nasceu da mobilização popular. Foi construída pela pressão de milhões de trabalhadores, por sindicatos, movimentos sociais e organizações que durante anos denunciaram um modelo de trabalho que sacrifica a saúde, o convívio familiar e a qualidade de vida de quem produz a riqueza deste país.

Foi a força das ruas que transformou essa pauta numa realidade política impossível de ser ignorada.

Por isso, não me surpreende que esses determinados parlamentares tenham votado a favor.
O que realmente me surpreenderia seria vê-los liderando essa luta quando ela ainda não rendia curtidas, manchetes ou dividendos eleitorais.

Porque defender trabalhadores quando isso dá voto é fácil.
Difícil é defender trabalhadores quando isso exige coragem política.

E é justamente aí que se separa quem tem compromisso de quem apenas acompanha a conveniência do momento. Oportunismo eleitoral existe. E o trabalhador precisa aprender a identificá-lo.

Afinal, na política, mais importante do que o voto de hoje é a coerência de toda uma trajetória.

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