Fundo ligado a filme sobre Bolsonaro aparece em apuração sobre PCC

A revelação de que o Gold Style Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), utilizado no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, também aparece em investigações relacionadas ao PCC abriu um debate sobre o alcance das sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra organizações criminosas.
O fundo figura em relatórios analisados pelo Coaf e por investigadores que acompanham movimentações financeiras envolvendo instituições sob suspeita. Entre elas está a AKB Bank, citada em apurações da Polícia Federal.
Para o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, caso autoridades norte-americanas identifiquem vínculos relevantes entre recursos utilizados em empreendimentos e estruturas associadas a grupos classificados como terroristas, existem instrumentos legais para bloqueios e investigações. Ele, porém, avalia que fatores políticos podem influenciar eventuais decisões.
Na mesma linha, o professor de Direito Internacional da USP Paulo Borba Casella afirma que a política anunciada por Washington tem como objetivo justamente atingir fluxos financeiros utilizados por organizações criminosas. Segundo ele, a coerência dessa estratégia será testada caso investigações alcancem estruturas ligadas a aliados políticos dos Estados Unidos.
Especialistas destacam que não há qualquer acusação ou medida anunciada contra o fundo, contra os responsáveis pelo filme ou contra seus financiadores. Ainda assim, o caso reacende o debate sobre os critérios utilizados no combate internacional ao crime organizado e sobre a possibilidade de seletividade na aplicação de sanções.










