Deputado arrenda avião para empresa ligada a investigação sobre tráfico internacional de drogas

O deputado federal Fred Costa (PRD-MG) está no centro de uma controvérsia após vir à tona que uma aeronave de sua propriedade foi arrendada para a CNM Aviação, empresa associada a uma empresária que teve o nome citado em investigações da Polícia Federal relacionadas ao tráfico internacional de drogas.
O contrato envolve um avião bimotor turboélice Embraer EMB-121 Xingu, adquirido pelo parlamentar em setembro de 2024 por cerca de R$ 4 milhões. O arrendamento foi formalizado em abril deste ano e tem duração prevista de 18 meses. Pelo acordo, a empresa pagará R$ 4 por quilômetro voado, com garantia mínima de R$ 30 mil mensais.
A CNM Aviação pertence à empresária Juliana Costa Nobre Magalhães, única sócia da companhia desde sua criação, em agosto de 2021. O nome dela apareceu nas investigações da Operação Flight Level, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a atuação de uma suposta organização criminosa especializada no transporte internacional de cocaína por meio de aeronaves.
As investigações tiveram origem após a apreensão de 175 quilos de cocaína no aeroporto de Lisboa, em Portugal, em outubro de 2020. Segundo as autoridades, a droga teria partido de um hangar localizado no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Na época, o espaço era administrado pela empresa BHZ Táxi Aéreo, ligada a Leonardo Costa Nobre, irmão de Juliana.
Leonardo foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob acusação de participação em um esquema de tráfico internacional de drogas. Posteriormente, também foi alvo de novas investigações envolvendo supostos pagamentos milionários para obtenção de decisões judiciais favoráveis.
Documentos judiciais apontam que a fachada do hangar utilizado pela BHZ Táxi Aéreo passou a exibir a identificação da CNM Aviação após o avanço das investigações. Em decisões relacionadas ao caso, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes, menciona indícios de que Juliana teria assumido parte dos negócios anteriormente conduzidos pelo irmão.
Apesar disso, Juliana Costa Nobre afirma que nunca foi denunciada por tráfico de drogas e nega qualquer envolvimento com atividades criminosas. Por meio de seus advogados, sustenta que a CNM Aviação não possui ligação com os fatos investigados e que a única relação entre as empresas é a utilização do mesmo hangar, cuja cessão ocorreu de forma regular e fiscalizada pelas autoridades aeroportuárias.
A defesa também argumenta que os episódios investigados ocorreram antes da criação da CNM Aviação e antes da empresa assumir a administração do espaço no Aeroporto da Pampulha.
Em nota, Fred Costa afirmou que realizou diligências antes da assinatura do contrato e não encontrou qualquer registro público que indicasse problemas envolvendo a empresa arrendatária. Segundo o deputado, o episódio investigado ocorreu anos antes da celebração do contrato e envolvia outra empresa.
O parlamentar ressaltou ainda que não possui qualquer relação com os fatos investigados pela Polícia Federal e que a aeronave arrendada sequer chegou a ser utilizada comercialmente pela CNM Aviação até o momento.
O caso segue acompanhado pelas autoridades, enquanto as investigações relacionadas à Operação Flight Level continuam tramitando na Justiça.








