TariFlávio faz versão de Top Gun Bolsonarista e brinca de guerra na internet

Em meio às graves denúncias que cercam o nome do banqueiro Daniel Vorcaro, às suspeitas levantadas sobre a produção do filme Dark Horse e às acusações de pagamentos milionários que vêm sendo associadas ao caso, o senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiu seguir outro caminho: gravou um vídeo de inteligência artificial em que aparece fantasiado de piloto de caça, em uma espécie de versão tropical e caricata de Top Gun.

No vídeo, embalado pela música Danger Zone, o senador surge vestindo traje militar e pilotando um avião ao lado do pai, Jair Bolsonaro. Em seguida, abre fogo contra embarcações identificadas com as siglas CV e PCC, que explodem em cenas típicas de videogame. Logo depois, aparece uma terceira embarcação estampada com o símbolo do PT, colocada no mesmo nível das facções criminosas.

A cena, que deveria servir como peça de divulgação de um anúncio sobre segurança pública, acaba produzindo o efeito oposto: passa a impressão de uma tentativa infantil de criar um espetáculo de guerra imaginária enquanto questões reais e politicamente incômodas ocupam o debate nacional.

É difícil levar a sério um senador da República que, diante de temas graves e de questionamentos que rondam seu campo político, opta por encarnar um herói de ação produzido por inteligência artificial. O resultado é uma peça que mais se assemelha a uma fanfic adolescente do que a uma manifestação de alguém que ocupa um dos mais altos cargos do Poder Legislativo.

A política brasileira já produziu muitos personagens folclóricos. Mas é particularmente constrangedor ver um senador agir como se estivesse disputando likes em uma rede social, transformando o debate público em um filme B digital, com explosões computadorizadas, pose de galã e inimigos escolhidos a dedo para alimentar a própria bolha ideológica.

Enquanto isso, as perguntas reais permanecem no ar. E explosões em CGI, por mais barulhentas que sejam, não têm o poder de apagar questionamentos políticos, nem de substituir explicações que a sociedade espera ouvir.

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