Diretor de filme sobre Bolsonaro admite objetivo eleitoral

A tentativa de apresentar o filme *Dark Horse* como uma simples cinebiografia de Jair Bolsonaro sofreu um duro golpe após uma declaração do próprio diretor da obra. Durante a estreia do longa em Las Vegas, nos Estados Unidos, o cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh deixou explícito aquilo que críticos do projeto já apontavam há meses: o filme possui uma clara dimensão política e eleitoral.

Ao comentar a produção durante o Fraud Fighter Summit, evento ligado à direita conservadora norte-americana realizado no Ahern Hotel, em Las Vegas, Nowrasteh afirmou que espera que o filme seja amplamente assistido pelos brasileiros e contribua para levar o senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A declaração foi feita após a primeira exibição pública da obra, realizada na última segunda-feira (15), e teve ampla repercussão por escancarar o caráter político da produção. Segundo o diretor, os brasileiros reconhecerão no filme a história recente do país e, a partir disso, apoiarão o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma futura disputa presidencial.

A fala reforça a percepção de que *Dark Horse* não se limita a retratar acontecimentos do passado, mas busca construir uma narrativa política voltada para o futuro. O filme reconstitui a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, com destaque para o atentado sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora, em Minas Gerais, apresentando-o sob uma perspectiva heroica.

Durante o mesmo evento, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro também assumiu um papel de destaque na promoção da obra. Segundo relatos da imprensa, ele classificou o longa como parte de uma chamada “guerra cultural” e afirmou que o filme teria potencial para influenciar a opinião pública, chegando a compará-lo a produções de grande impacto cultural da indústria cinematográfica.

A repercussão da declaração de Nowrasteh reacendeu questionamentos que já vinham sendo levantados no meio político e jurídico. Antes mesmo de sua estreia comercial, *Dark Horse* passou a ser alvo de ações na Justiça Eleitoral sob a suspeita de funcionar como instrumento de propaganda antecipada em favor de Flávio Bolsonaro, apontado como possível candidato à Presidência em 2026.

As controvérsias em torno da produção também envolvem questionamentos sobre seu financiamento. O filme já foi associado a investigações que analisam operações financeiras ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, embora não haja, até o momento, condenações ou decisões definitivas que estabeleçam irregularidades relacionadas à produção cinematográfica.

Além disso, surgiram dúvidas sobre os valores divulgados para a realização do longa. Reportagens recentes apontaram divergências entre os números anunciados publicamente e a documentação apresentada pela produtora responsável pela obra.

Com a declaração do diretor, porém, o foco do debate voltou-se para a finalidade política do projeto. Para críticos da produção, a fala elimina qualquer tentativa de caracterizar o filme como uma obra neutra ou meramente histórica. Ao declarar publicamente o desejo de ver Flávio Bolsonaro chegar à Presidência, Nowrasteh acabou transformando uma suspeita política em uma intenção assumida diante das câmeras.

A polêmica deve ganhar novos capítulos à medida que o filme se aproxima de sua estreia no Brasil e que as discussões sobre a sucessão presidencial de 2026 começam a ocupar espaço cada vez maior no cenário político nacional.

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