Jaques Wagner: da resistência à ditadura à liderança do governo Lula no Senado

Um dos nomes mais influentes do PT e principal articulador do governo Lula no Senado, Jaques Wagner carrega uma trajetória política que atravessa diferentes momentos da história recente do Brasil. Aos 75 anos, o senador é considerado um dos aliados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já chegou a ser apontado como possível candidato à Presidência da República em 2018.

Nascido no Rio de Janeiro, Wagner cursou Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), mas foi na Bahia que construiu sua carreira política e sindical. Durante os anos da ditadura militar, atuou no movimento estudantil e sindical, chegando a ser monitorado pelos órgãos de inteligência do regime.

Documentos da antiga Divisão de Segurança e Informações da Petrobras mostram que, em 1975, Wagner teve uma vaga de estágio vetada por conta de sua militância política. O relatório da época o classificava como ligado a organizações de esquerda e recomendava sua exclusão do processo seletivo.

Na Bahia, tornou-se uma das principais lideranças dos trabalhadores do polo petroquímico de Camaçari. Presidiu o Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Petroquímicos e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado.

Sua carreira parlamentar começou em 1991, quando assumiu o primeiro de três mandatos consecutivos como deputado federal. Ao longo dos anos, construiu a reputação de político habilidoso no diálogo e na articulação. Até mesmo adversários históricos reconheceram essa característica. Em 2002, o então senador Antonio Carlos Magalhães, principal líder político baiano da época, classificou Wagner como um político “hábil e competente”.

O momento mais marcante de sua trajetória eleitoral ocorreu em 2006, quando derrotou Paulo Souto na disputa pelo governo da Bahia, encerrando décadas de hegemonia do grupo político liderado por ACM no estado. Wagner governou a Bahia por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014, sendo sucedido por Rui Costa, também do PT.

Além dos cargos eletivos, acumulou funções estratégicas nos governos petistas. Foi ministro do Trabalho e Emprego e das Relações Institucionais durante os governos Lula, além de ocupar os ministérios da Defesa e da Casa Civil na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em 2005, durante a crise política provocada pelo escândalo do mensalão, assumiu a coordenação política do governo federal por determinação de Lula. A confiança entre os dois se fortaleceu ao longo dos anos, tornando Wagner um dos principais conselheiros do presidente.

Em 2018, quando Lula estava preso e impedido de disputar a Presidência, Jaques Wagner foi apontado como favorito do petista para encabeçar a chapa presidencial do partido. No entanto, recusou a possibilidade e, segundo relatos da época, repetia a aliados que não pretendia substituir Lula na disputa eleitoral.

Pouco antes daquela eleição, Wagner foi alvo da Operação Cartão Vermelho, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apurava suspeitas de irregularidades envolvendo recursos destinados à construção e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador. À época, investigadores afirmaram que o ex-governador teria sido beneficiado por repasses milionários. Wagner negou todas as acusações.

Durante a operação, agentes apreenderam celulares, computadores, documentos e uma coleção de relógios encontrada em seu apartamento. O então ex-governador afirmou que as peças eram réplicas adquiridas em viagens ao exterior e rejeitou qualquer irregularidade.

Em 2019, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região anulou a operação. A corte entendeu que o caso não era de competência da Justiça Federal, uma vez que os recursos utilizados na obra tinham origem estadual e não federal.

Crítico da Operação Lava Jato, Wagner também já fez avaliações públicas sobre os erros cometidos pelo PT ao longo de sua trajetória no poder. Em entrevistas, reconheceu que integrantes do partido adotaram práticas que já existiam no sistema político brasileiro, afirmando que a legenda acabou se envolvendo em mecanismos que posteriormente se tornaram alvo de investigações.

Atualmente, como líder do governo no Senado, Jaques Wagner ocupa posição central na articulação política do Palácio do Planalto. Cabe a ele negociar projetos estratégicos, construir acordos com diferentes bancadas e atuar como principal interlocutor do presidente Lula junto à Casa Legislativa em um momento de intensas disputas políticas e econômicas no país.

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