Ô Trumpi, me salva! – Covardia ou patriotismo?
por Osmar Wang

Há algo de profundamente contraditório na atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Enquanto se apresenta como patriota e defensor do Brasil, dedica boa parte de sua energia política a pedir que autoridades estrangeiras intervenham contra instituições brasileiras e contra integrantes do Estado brasileiro.
Em seu mais recente discurso, Eduardo Bolsonaro volta a pedir que Donald Trump amplie sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, chegando a defender novamente a aplicação da Lei Magnitsky, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos. Não se trata de uma crítica política comum. Trata-se de um brasileiro ex-parlamentar, cassado, fugitivo e agora CONDENADO que busca mobilizar o poder de um governo estrangeiro contra autoridades do seu próprio país.
A situação torna-se ainda mais surreal quando Eduardo tenta sustentar sua narrativa citando casos como os de Carla Zambelli, Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, como se todos fossem provas de uma gigantesca conspiração internacional. O argumento ignora que cada caso possui circunstâncias jurídicas próprias e que divergências entre países sobre extradição ou cooperação judicial são comuns em qualquer democracia.
O que chama atenção não é apenas o conteúdo das declarações, mas o local de onde elas são feitas. Enquanto o debate político acontece no Brasil, Eduardo Bolsonaro prefere atuar a partir dos Estados Unidos, apresentando-se como uma espécie de exilado político e tentando transformar disputas internas brasileiras em uma campanha internacional contra as instituições nacionais.
Essa postura representa uma grave inversão do conceito de patriotismo.
Quem realmente acredita na democracia e na soberania nacional enfrenta os embates políticos dentro das regras do próprio país, recorrendo às instâncias judiciais, ao debate público e às eleições.
O que não combina com a tradição democrática é abandonar o campo do debate nacional para, do exterior, rosnar contra o próprio país e pedir que potências estrangeiras façam o trabalho que não conseguiu realizar internamente.
Coragem política é enfrentar o debate onde ele acontece. O resto é apenas militantância internacional contra o próprio País.
Quem se apresenta como patriota enquanto percorre gabinetes em Washington pedindo sanções contra autoridades brasileiras pratica exatamente o oposto do patriotismo que diz defender. Buscar pressão externa para enfraquecer instituições nacionais não é defesa da democracia nem da soberania. É um ato de subserviência política a uma potência estrangeira, transformando interesses externos em instrumento de disputa contra o próprio país.
A retórica utilizada por Eduardo Bolsonaro também segue um roteiro conhecido. Ele se apresenta como vítima de perseguição, transforma decisões judiciais em provas de uma suposta ditadura e procura apoio em setores da extrema direita internacional. O objetivo é construir uma narrativa de resistência heroica. O problema é que essa narrativa exige tratar qualquer decisão contrária aos interesses do bolsonarismo como evidência de conspiração.
E ainda pior: mais canalha ainda é dizer que ter um Bolsonaro na Presidência irá “resgatar a boa relação do Brasil com os Estados Unidos”… conversa de gente golpista, covarde e entreguista que está disposta a tudo para se livrar da cadeia.
O Brasil enfrenta inúmeros desafios econômicos e sociais. Nenhum deles será resolvido por campanhas internacionais contra ministros do Supremo ou por pedidos de sanções estrangeiras. A defesa da soberania nacional não pode ser seletiva. Ela vale tanto quando o alvo é um governo estrangeiro quanto quando brasileiros tentam mobilizar governos estrangeiros contra o próprio Brasil.
Por isso, a pergunta que fica é simples: que tipo de patriotismo é esse que busca fora do país as ferramentas para atacar instituições nacionais? Para muitos brasileiros, a resposta é evidente. Não se trata de defesa da pátria. Trata-se de um projeto político que, diante das derrotas sofridas internamente, procura apoio externo para continuar uma guerra contra as instituições democráticas brasileiras.









